sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O adeus nunca dito. pt2

Mesmo não querendo e quase sem forças me levantei da cama, coloquei uma roupa qualquer, e fui pra frente de casa, estava tão desnorteado que nem prestei atenção em minha mãe falando comigo, fiquei la sentado esperando o rapaz vir me buscar. Em questão de 10 minutos ele chegou, vi pela cara dele o desprezo por mim e também a tristeza; só não entendia o por que. Subi no carro e apaguei, quando dei por mim já havíamos chegado, estávamos na funerária e tinha muita gente la fora chorando, eu já não tinha mais nem lagrimas, pelo menos era o que eu achava, ao ver Fátima se debulhando em lagrimas enquanto eu entrava na salinha apertada me fez exitar por alguns instantes e não querer entrar, porem tinha gente atrás de mim, agora já não tinha mais volta, eu teria que entrar e encarar a realidade.
- Roberto? - Chamou uma voz bem triste e chorosa atrás de mim, ao me virar e olhar percebi que era a prima de Fernanda, Abigail.
- Oi Abi, você já entrou?
- Ainda não tive coragem. - Disse a menina com os olhos cheios de lagrimas.
- Vou entrar agora, ainda não estou acreditando. Não sei por que sinto que a culpa é minha.
- Sua? Por que acha isso? - Ela me olhou como se eu já soubesse de algo já que não estava chorando.
- Depois te conto agora vou entrar la.
- Ta bom. - Retrucou ela enxugando as lagrimas que percorriam-lhe o rosto.
Entrei na saleta pequena e me dirigi ao centro, onde estava o caixão. Ao chegar la não tive reação, fiquei estagnado olhando, totalmente imóvel e paralisado, realmente era minha fefe la deitada dentro do caixão. Senti lagrimas me escorrendo do rosto, porem eu não demonstrava nenhum reação além de espanto. Em um esforço sobre-humano tentei caminhar para chegar mais perto, tentar me despedir, mais tudo em vão, meu corpo não me obedecia mais, havia perdido o controle total sobre os meus atos e meus pensamentos estavam todos embaralhados e atordoados, não conseguia raciocinar mais direito. Em um segundo eu apaguei, quando acordei estava deitado num banco com algumas pessoas me abanando, levantei em um susto e fui em direção do caixão, me debrucei por cima dele e comecei a chorar e te um ataque de panico, gritava todos os meus motivos para ela não poder ir embora, todas as nossas promessas e tudo mais, tudo em vão, todos ficaram me olhando, muitos não me conheciam. Fátima chegou e me abraçou por traz e eu não conseguia para de chorar e gritar, a cada grito de dor que eu dava eu sentia meu coração batendo mais e mais devagar, como se ele fosse realmente parar. Finalmente vieram me tirar de la e eu não queria sair, não queria deixá-los levá-la de mim. Mesmo sabendo que de nada adiantaria, então eu pedi, supliquei e implorei para que me deixassem ter somente mais alguns momentos com ela, e me deixaram. Me ajoelhei ao lado do caixão e sussurrei o quanto eu iria sentir a sua falta, o quanto eu estava arrependido de ter dito tudo aquilo e o quanto eu amava ela. Senti que ao dizer todas essas coisas todos na sala choravam mais e mais, ate quem já havia parado de chorar começara novamente. Quando eu estava terminando e já ia lhe dizer adeus me faltou forçar e novamente apaguei, quando acordei estava deitado em uma maca no hospital no dia seguinte. Tive esgotamento nervoso e não consegui me despedir da minha amada.
Horas apos acordar tive alta do hospital e fui para casa, cheguei la fui para meu quarto me deitei e só pensava em dormir, não queria mais nada, pelo menos em meus sonhos ela ainda estava ao meu lado, mas ate meus sonhos estavam cruéis, não me deixavam ficar junto dela, em todos eles ela estava la deitada no caixão, então parei de dormir e fiquei acordado, passei mais de 72 horas seguidas acordado, sem nenhuma vontade de fazer nada, sem me alimentar e sem falar com ninguém, apenas la sozinho com o silencio. Chegou um certo momento que nem mesmo o silencio estava silencioso, o silencio já estava ensurdecedor e eu sai do meu quarto, dei 3 passos no corredor e cai tonto, sem forças, minha mão veio no mesmo instante e me levantou, sem perguntar, sem questionar, apenas fez. Me sentei a mesa e ela me preparou algo para comer, mesmo sem vontade alguma eu comi, logo em seguida voltei ao meu quarto. Sem perceber havia deixado meu celular de lado todo esse tempo, não havia olhado para ele. Depois de algum tempo achei-o quando fui ver 27 ligações perdidas e 17 mensagens todas da mesma pessoa, Fátima. Retornei a ligação e quem atendeu foi Abigail., me pedindo para ir la pois tinha uma coisa a me mostrar.
Demorei algum tempo para chegar ate a casa da Fernanda, e no caminho fiquei pensando o que poderia ser, ao chegar la Abigail me recebeu, porem não me olhava nos olhos direito, Fátima me abraçou logo em seguida bem apertado como nunca havia feito antes. Estranhei um pouco, mas com o tamanho da perda que acabara de ter não deveria ser tão estranho assim.
- Por que me chamaram aqui? - Questionei me sentando no sofá.
- Eu gostaria de lhe contar sobre o acidente e lhe mostrar uma coisa. - ate então eu sabia do acidente por cima, que o carro havia tombado e ele tinha morrido na hora, ninguém havia me contado com detalhes.
- Ta certo, eu sei que foi um acidente de carro.
- Sim foi exatamente o que aconteceu, ela estava voltando para casa com o carro e rodopiou na pista por volta de 2:30 da madrugada, e como o socorro demorou um pouco ela infelizmente acabou não aguentando os ferimentos. - No mesmo momento em que ela disse isso me lembrei da noite em que eu acordei, de alguma forma eu sabia, só não sei como.
- Entendo. Obrigado por me contar, eu ate então só tinha ouvido boatos. Mais você disse que tinha algo a me mostrar não?
- Exatamente, com o corpo dela em sua mão me entregaram o celular dela, e tem uma mensagem que ela tentou lhe enviar porem o celular acabou a bateria. - ao terminar de disser isso estendeu o celular um pouco chamuscado e totalmente ralado.
Ao pegar o celular abri a mensagem e nela dizia "Meu amor eu vou morrer, mais quero que saiba que eu te amo e vou lhe esperar do outro lado e te guardar para sempre comigo. Quero que me veja na pd", ao ler isso novamente comecei a chorar. Todos ficaram me olhando como se esperassem de mim uma resposta. Todos sabiam que seu desejo era doar todos os órgãos e ser cremada, e assim foi feito.
- Onde estão as cinzas dela? - perguntei sabendo que Fátima não havia jogado em qualquer lugar.
- No quarto dela, por que? O que ela quis dizer com essa mensagem? - Queria saber a mulher, mais eu não tinha como explicar.
- Não posso dizer, mais preciso que confie em mim.- Disse levantando e indo em direção ao quarto dela pegar as cinzas.
- Obrigada! - Disse ela ao me ver saindo com o frasco de cinzas em mãos.
Me lembrei na hora do lugar onde sempre fugíamos para ficar juntos, e nos o chamamos de pd, abreviação de Ponte dos Desejos, um lugar que nos "inventamos" era uma pequena ponte numa área afastada da cidade onde costumávamos ir nadas e nos divertir, tinha ate uma cachoeira, sabia que era de la que ela falava, pois ela sempre dizia que la era o lugar especial dela, e disse que se fosse para sumir gostaria que fosse no seu lugar preferido. Fui ate la e levei o pote comigo. Chegando la por alguns momento me deu uma nostalgia e de alguma forma eu sentia como se ela estivesse ali comigo, eu não estava mais tao triste, eu sabia que ela me amava, e me amou ate os últimos instantes, de fato eu não consegui me despedir dela, porem como ela disse, "vou lhe esperar do outro lado" sei que não é um adeus e sim um ate mais.
Me sentei no chão e fechei os olhos e por alguns instantes eu via ela la ao meu lado. Algum tempo se passou dês de que cheguei la e começava a entardecer, então tive que fazer o que havia vindo para fazer. Peguei o pote, subi na arvore que costumávamos subir para descansar, tinha ate uma plataforma já, e joguei suas cinzas e as vi se desfazendo no ar e em meio as folhas então me sentei la e sussurrei bem baixinho "Pronto meu amor agora seu corpo está onde sua alma sempre esteve".
Voltei para minha casa, mesmo ainda triste eu me sentia bem, realizei seu ultimo desejo e descobri o que pra mim havia se perdido em meio a uma culpa que não existia, o amor dela por mim. Demorei algum tempo para me recuperar, porem me recuperei e hoje em dia não penso tanto assim nela, porem sempre me lembro de tudo que aprendi com ela, e sempre me retiro um dia do ano para ela, 14 de dezembro, e pensar que se nada disse tivesse acontecido talvez dia 17 de dezembro de 2012 era para fazermos 5 anos de namoro.
A vida tem um jeito duro de nos ensinar lições.




Prontooooo cabooo :D espero que tenham gostado ^^
Quem curtiu da uma notinha aqui em baixo \/ e também comente, pode ser em anonimo mesmo já fico muito feliz já.
Obrigado por lerem ;) próximo texto sai no fim de semana que vem pois esse aqui já foi adiantado kkkk

Um comentário:

  1. Que bonitinho o bruno escrevendo essas coisas, ficou lindo o texto viu, agora só treinar o português u.u hahaha gostei muito *-*

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