sexta-feira, 26 de abril de 2013

"Confia em mim?"

- Não vai mesmo me dar nem uma chance? Não vai me dar a oportunidade de te fazer feliz ao meu lado, sei que seu ultimo relacionamento não terminou legal, mais me deixa tentar por favor?
- Melhor não serio, quero ficar sozinha por um tempo, não é você, eu que não quero ninguém no momento.
- É isso mesmo que você quer? Não vai nem reconsiderar?
- Sim Pablo é isso mesmo que eu quero, podemos ser só amigos.
- Não sei se consigo ser apenas seu amigo, pra você é fácil, você não gosta de mim.
- Eu gosto, só que como amiga, não quero que nada interfira em nossa amizade.
- Tudo bem então, já vou indo. Até qualquer dia Fabiana. - ao disser isso Pablo foi se direcionando ao portão, com a esperança de que ela reconsiderasse, porem sabia que ela não o faria.
- Até mais. - Ela disse e fechou o portão e entrou para dentro de sua casa.
Pablo era um rapaz de 19 anos, rapaz comum que gostava de sair com seus amigos, era bastante brincalhão e se apaixonou por Fabiana que tinha 15 anos.
Ao voltar para sua casa ele se recordara de todos os dias em que tinham passado juntos, principalmente da conversa que tiveram deitados no sofá, conversando e se entreolhando.
- Que foi? - Indagou Fabiana pois Pablo a estava olhando fixamente.
- Nada, estava apenas admirando como você é linda. - No mesmo momento Fabiana ficou um pouco vermelha e abaixou a cabeça. - Que foi? Eu disse algo errado?
- Não.
- Então o que foi?
- Nada não. - Ela continuava com a cabeça baixa e começara a apertar a almofada.
- Me conta por favor.
- Não é nada já disse.
- Você confia em mim? - Nesse momento ela levantou e olhou bem fundo em seus olhos.
- Confio.
- Então me conta. Você sabe que só quero o seu bem.
- Eu sei, tudo bem eu conto. É que eu só estou um pouco confusa, tem muita coisa acontecendo, sei lá. - Fabiana voltou a apertar bem forte a almofada.
Tirei a almofada de sua mão e entrelacei nossos dedos.
- Quando tiver com medo e quiser apertar a almofada aperta minha mão. - Mal terminei de falar ela já estava apertando minha mão bem forte, de maneira que eu percebi que ela estava assustada com todo o ocorrido.
- Calma eu estou aqui, vai ficar tudo bem, temos muito tempo.
- ...é.
- Posso te dar um beijo? - Sabia que ela recusaria, porem sabia também que se eu fizesse direito poderia ganhar de vez a sua confiança e talvez ate o beijo que eu tanto esperava.
Ela ficou em silencio e voltou a apertar minha mão.
- Você confia em mim?
- Confio.
- Então me deixa te dar um beijo?
- ... hum.
- Você confia em mim não confia? Eu sei que ta com medo, eu sinto você apertando minha mão, imagino tudo o que deve estar passando pela sua cabeça, mais confia de verdade em mim. Posso te dar um beijo?
- Não sei.
Nesse momento entrou gente na sala e nos afastamos por um momento, ela se levantou e foi ate a cozinha beber água.
- Quer água?
- Quero. - me levantei e fui ate ela, a envolvendo pela cintura com meus braços e colocando meu queixo em seu ombro, vendo seu lindo sorriso lateral pra mim. Tomei meu copo de água e voltei a me deitar no colchão e fiquei a esperá-la.
Demorou um pouco mais ela voltou e se deitou a meu lado, demos as mãos igual estávamos antes, porem agora ela não apertava mais minha mão então perguntei novamente.
- Você confia em mim?
- Sim.
- Posso te dar um beijo?
Ela assentiu com a cabeça, logo depois fechando os olhos. Cheguei bem perto e pensei realmente em dar-lhe um beijo na boca, saber qual o sabor dos teus tão belos lábios e realizar o sonho de poder lhe dar um beijo, porem não o fiz. Cheguei bem perto mas acabei dando-lhe um beijo na testa, em sinal de proteção e respeito.
Então ela abriu os olhos novamente e me olhou bem no fundo dos olhos.
- Você sabe o significado de um beijo na testa?
- Não.
- Significa proteção, te dei um pra que você saiba que vou sempre te proteger e estar ao seu lado.
- Ta bom.
Acabamos ficando mais algum tempo conversando e na maioria do tempo calados nos olhando, como se aquela fosse a única coisa que soubéssemos fazer. Acabei indo em bora e não ganhei o meu beijo, porem ganhei um dos abraços mais apertados e aconchegantes do qual já experimentei na minha vida.

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